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“Semana Santa de Braga: entre a...”

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01.04.2026

As procissões da Páscoa em Braga não são apenas uma manifestação religiosa: são uma das mais poderosas expressões de memória coletiva, identidade urbana e projeção territorial em Portugal. Com raízes que remontam à consolidação do cristianismo na antiga Bracara Augusta, estas celebrações evoluíram ao longo de séculos, incorporando liturgia, teatralidade barroca, património material e participação comunitária. Hoje, a Semana Santa bracarense é, simultaneamente, ritual, produto cultural e ativo económico estratégico, capaz de mobilizar residentes, atrair turistas e irradiar valor para toda a região do Minho. Historicamente, a força destas procissões reside na sua longevidade. Braga soube preservar um modelo raro na Europa, onde a dimensão religiosa permanece viva sem perder relevância cultural. Os cortejos do Ecce Homo, da Burrinha ou do Enterro do Senhor, funcionam como encenações públicas de grande densidade simbólica, transformando o centro histórico num palco de fé e patri- mónio. Os farricocos, o toque das matracas, a iluminação das ruas (ou a falta dela) e o silêncio coreografado da multidão, criam uma experiência imersiva que ultrapassa a esfera da crença. O que se celebra não é apenas a Paixão de Cristo: celebra-se também a própria continuidade histórica de Braga como cidade episcopal, guardiã de tradições que estruturam a sua identidade. Essa dimensão patrimonial........

© Correio do Minho