“Constrangimentos estruturais ao...”
Portugal tem enfrentado um problema estrutural de crescimento económico, apresentando uma média de cerca de 1% ao ano no período de 1999 a 2024, conduzindo, assim, a uma divergência real persistente face à média da União Europeia (UE) - que cresceu, no mesmo período, em média, 1,5% ao ano. Esta diferença parece ser ligeira em termos anuais, porém, acumula-se ao longo do tempo implicando em efeitos negativos substanciais sobre o poder de compra ou nível de vida, salário real e capacidade de Portugal financiar serviços públicos essenciais. Mais, torna-se intrigante que este desempenho suceda quando Portugal partindo de um nível do Produto Interno Bruto (PIB) per capita inferior à média europeia, continue a crescer menos do que vários de seus parceiros europeus. Assim, Portugal não converge, ao invés, diverge em termos reais (em volume) face à média da UE. Entretanto, em Portugal, nos últimos anos observa-se um crescimento económico um pouco maior, resultante, sobretudo, de meros fatores conjunturais: (a) recurso aos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR); (b) expansão muito intensa do turismo; (c) aumento célere da imigração acarretando num aumento da população ativa e da oferta de trabalho. Ora, para muitos analistas com a atual estrutura da economia portuguesa, nomeadamente a baixa produtividade seria expetável, mesmo assim, registar-se uma taxa de crescimento do PIB de cerca de 4% ao ano, sustentada apenas pelo efeito quantitativo do aumento do fator trabalho. Porém, nos últimos anos, o crescimento da economia portuguesa tem vindo a situar-se bem menor, em média, 2% ao ano,........
