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“Como salsichas fumegantes”

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23.03.2026

Pela calçada da vila alemã, em Columbus, bem no coração de Ohio, deixei-me levar por entre fachadas de tijolo cor de cenoura. Por ali, uma amostra europeia persistia latente, tal como uma abençoada memória proveniente do outro lado do oceano. Numa dessas estreitas ruelas encontrei o Schmidt’s Sausage Haus, encaixado entre duas lojas que prometiam chocolates e ornamentos tradicionais. O restaurante parecia ter qualidade, não fosse a multidão que padecia suspensa na zona envolvente, como que enraizada junto a um pequeno jardim. Espreitei o seu interior. Vislumbrei, sob a luz morna e amarelada dos pequenos candeeiros, mesas de madeira que acolhiam conversas demoradas, canecas de cerveja a erguerem-se pesadas, assim como salsichas fumegantes a desaparecer por entre bocas famintas. Tudo ali convidava à demora, ao abandono da rotina de uma cidade onde todas as estações do ano pareciam espoletar num só dia. Por momentos, juntei-me à espera paciente que se acumulava à porta. No entanto, o tempo, esse maravilhoso espaço que ecoa entre dois momentos, não parecia querer avançar lá dentro. Ninguém se levantava e ninguém cedia o lugar. Resignei-me de tal forma que entrei nas lojas vizinhas, em busca de um presente que talvez........

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