Venezuela no tabuleiro geoeconômico EUA-China
ALEXANDRE RAMOS COELHO, professor e coordenador dos cursos de pós-graduação em política e relações internacionais e do MBA em geopolítica da transição energética, ambas da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)
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A captura de Nicolás Maduro, combinada ao cerco naval e à quarentena petrolífera impostos pelos Estados Unidos sob Donald Trump, não representa apenas uma ruptura política na Venezuela. Trata-se da incorporação deliberada de uma nova arma geoeconômica ao arsenal americano, ao subordinar o petróleo venezuelano à esfera de controle de Washington como instrumento de coerção direta contra a China. Em paralelo, Pequim utiliza o controle das exportações de terras raras e minerais críticos como alavanca central de poder econômico, tecnológico e militar. A crise venezuelana consolida, assim, a energia como eixo estruturante da rivalidade sistêmica entre grandes potências.
A centralidade da Venezuela decorre de um dado amplamente reconhecido: o país detém as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris — aproximadamente 17% do total global —, superando inclusive a Arábia Saudita. Ainda que a produção atual permaneça severamente limitada, o valor estratégico não reside no fluxo presente, mas no controle político e geoeconômico sobre o potencial futuro dessas reservas, em um sistema internacional marcado pela crescente instrumentalização dos fluxos energéticos como instrumento de poder.
A estratégia americana deve ser compreendida à luz da transformação dos Estados Unidos em um petro-Estado com capacidade........
