As guerras e a paciência estratégica de Pequim
A retomada do confronto entre EUA e Irã, culminando no bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, tem um vencedor que não está em campo: a China. Enquanto Washington e Teerã trocam pressão militar e ameaças econômicas, Pequim observa em silêncio e avança. O cenário escancara uma inversão tectônica de forças na geopolítica contemporânea. Sem disparar um único projétil, consolida-se um polo de sobriedade da mesa internacional, atraindo para sua órbita estratégica atores regionais exaustos de instabilidade e fartos dos custos colaterais da hegemonia estadunidense.
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Essa mudança de eixo não decorre de golpe de sorte, mas de uma assimetria gritante de métodos e de visão de longo prazo. Nos últimos 25 anos, Washington envolveu-se em quatro conflitos custosos no Oriente Médio e arredores — Iraque, Afeganistão, Síria e Irã —, dilapidando capital político, credibilidade institucional e recursos........
