A Copa do Mundo e a geopolítica do gramado
A Copa do Mundo nunca foi apenas futebol. É vitrine, ritual de prestígio, certificado de modernidade e instrumento de projeção internacional. Para muitos países, sediar o torneio significa dizer ao mundo que se chegou a outro patamar. O estádio, nesse sentido, é menos uma obra esportiva do que uma peça de diplomacia material. Nele, o país anfitrião tenta traduzir poder em imagem, infraestrutura em reputação e organização em influência.
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O problema é que essa régua nunca é aplicada de maneira neutra. A Copa de 2026, organizada por Estados Unidos, México e Canadá, permite observar essa diferença com nitidez. A presença mexicana e canadense suaviza, em alguma medida, a imagem do torneio e dilui o peso político das controvérsias concentradas nos Estados Unidos, especialmente no tema migratório. Ainda assim, é nos Estados Unidos que aparece com mais força a assimetria entre o tratamento dispensado ao Norte Global e aquele imposto ao Sul Global.
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Quando o Brasil recebeu a Copa de 2014, o chamado "padrão Fifa" apareceu como uma gramática de exigências quase civilizatórias. Não bastava ter futebol, torcida, tradição e capacidade de mobilização. Era preciso........
