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Conversa comigo mesmo

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23.01.2026

Ultimamente, na hora de dormir, tenho conversando bastante comigo mesmo. A velha amiga insônia abraça minha cabeça e a voz sussurrante, firme e sincera, me faz companhia:

- Como foi que conseguimos dormir ontem?

- Estávamos conversando e, de repente, vimos uma campina, ao fundo uma enorme cachoeira.

- Ah sim...E tinha um cachorro latindo pensamentos.

- Verdade...Ele apontava com o focinho uma cadeira de balanço. E sentamos na cadeira para sentir a água passar bem perto, o barulhinho gostoso: rec, rec, rec...

- O certo era virar de lado e dormir.

- A gente nunca conseguiu isso. Desde sempre, primeiro um emaranhado de pensamentos é só bem depois o sono chegava.

- Mas não demorava tanto.

- Era rápido, mas éramos jovens.

- Como estamos?

- Já estivemos melhor

- Em que sentido?

- Saúde, principalmente.

- Envelhecemos...

- Sim, e isso incomoda.

- A opção é a morte.

- Só por isso me conformo.

- Alguma dor estranha?

- Pouca, quase nada.

- Nariz entupido?

- Às vezes, já teve pior

- Exames deram bom resultados, não foi?

- Tirando o diabetes e essa ameaça de ficar cego, o resto está muito bem.

- Então não reclame.

- Não estou reclamando. Sei lá, acho que é saudades...

- Isso é certo, os amigos, os jogos de futebol no campinho do Taveirópolis, os bailes aos sábados, a irmã do Berico.

- A irmã do Berico? Ela te ignorava!

- Eu sei, mas sempre fui de sonhar.

- Que fim terá levado?

- A irmã do........

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