O avô do Niemeyer
Oscar Niemeyer é um dos raros brasileiros universais. Sua obra e memória sobreviverão pela eternidade, uma imortalidade conquistada, não pela militância política em busca de uma sociedade igualitária e justa, mas pela genialidade na criação que sacralizou uma burguesia que o marxismo combatia. Brasília é uma pintura imponente, pousada na aridez do cerrado retorcido e seco, uma obra-prima arquitetônica a céu aberto, forjada a partir dos ensinamentos do mestre do arrojo, Le Corbusier, ao próprio Niemeyer: “Arquitetura é invenção”.
As mãos dos traços ágeis arquitetaram um sonho numa prancheta iluminada. Niemeyer forjou curvas no concreto rígido e acrescentou a leveza flexível da sinuosidade no espaço vasto do azul celeste. O sonhador, que roçou o céu das divindades, tinha pânico de avião, medo de altura. Por isso, ao desenhar sua própria aeronave, por encomenda de Juscelino Kubistchek, a aterrissou para todo o sempre no solo estático, avermelhado e árido do Planalto Central.
A Praça dos Três Poderes é a síntese da harmonia criativa, onde os prédios........
