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As pirâmides criminosas

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30.01.2026

Bernie Madoff, lenda colossal do crime de colarinho branco, ergueu entre 1987 e 2008, em Nova Iorque — delta do poder financeiro — um fundo de investimentos calçado no prestígio daquele que era visto como um semideus, um iluminado das finanças, mas que não passava de um fraudador. Os sacrificados — professores, agricultores, artistas, bancos e outros milionários — confiaram suas economias ao trapaceiro, onde os aplicadores novos, adoradores cegos da rentabilidade irreal e do brilho do ouro de tolo, bancavam os investidores anteriores. Foi a maior pirâmide financeira da história. Uma fraude de US$ 65 bilhões que ruiu, provocando maldições e tragédias, inclusive suicídios.

Madoff foi o faraó supremo da Nasdaq e engenheiro de um obelisco financeiro que chegou a ser o sexto maior negociador de ações, respondendo por até 5% de tudo o que era comprado e vendido no panteão da Bolsa dos EUA. Era afável, discreto, filantropo e circulava desenvolto no topo da cadeia financeira e nos convescotes da realeza norte-americana, sempre ao lado de ungidos. Sua firma foi escavada oito vezes pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC). A SEC vasculhava a Bernard L. Madoff Investment Securities, mas não sua empresa de assessoria financeira, que reinava na vigarice a partir da câmara secreta do 17º andar do Lipstick Building, na Terceira Avenida.

A dinastia do trapaceiro foi encerrada em 2008, quando a enchente das hipotecas imobiliárias quebrou gigantes sagrados da banca. Os arautos de Madoff correram aos bancos e o levaram à........

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