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Frei Betto, 80 anos: o frade que nunca se rendeu à margem errada da História

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Há homens que vivem como se suas vidas fossem editoriais diários: testemunhos que atravessam décadas, incômodos que não se deixam calar, gestos que marcam para além do instante. Frei Betto, dominicano, escritor, militante e pensador, chega aos 80 anos com a mesma coragem de quem sempre soube em que margem do rio da História queria estar: a margem dos pobres, dos esquecidos, dos vencidos de sempre. Sua vida não se resume à santidade de hábito branco ou à liturgia das palavras: é uma vida escrita em resistência, em inquietude e em fé viva.

Conheci Frei Betto em 1994, quando lancei meu livro O Despertar dos Anjos. Eu era um escritor calouro, cercado de dúvidas e inseguranças. E ele, já então, era um nome consagrado, conhecido em todo o Brasil como voz da teologia da libertação, escritor premiado, militante incansável. Mas o que mais me marcou não foi o prestígio: foi a generosidade com que me recebeu, a atenção dedicada a alguém que ainda engatinhava no mundo literário. Um gesto simples, mas inesquecível. Nunca esqueci aquela noite, e nela percebi uma das marcas mais fortes da personalidade de Frei Betto: a capacidade de reconhecer a humanidade no outro, sem hierarquias, sem arrogâncias.

Essa memória pessoal me devolve, inevitavelmente, a outro amigo, que conheci em 1991: o bispo catalão Pedro Casaldáliga. Entre ambos, vejo um parentesco espiritual profundo. Dois homens........

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