Rússia e China na guerra no Irã
“Só os mortos conhecem o fim da guerra” (Platão)
Três semanas e meia depois do início dos bombardeios em Teerã e do assassinato de Ali Khamenei, e agora de Ali Larijani, a questão central consiste em explicar as razões da guerra contra o Irã. Não há perigo real e imediato de uma Terceira Guerra Mundial. A Rússia não pode, e a China não quer uma internacionalização da guerra.
O Irã está isolado e, apesar da resistência militar e da decisão da nova direção do Estado persa de fechar o estreito de Ormuz, ameaçando uma disparada do preço do petróleo e uma pressão inflacionária mundial, o perigo é que seja, em mais ou menos tempo, derrotado.
Nesse contexto, embora não haja razões para a esquerda alimentar qualquer ilusão sobre o regime teocrático de Teerã, o dever internacionalista mais elementar é defender o Irã contra a agressão imperialista de Donald Trump e Benjamin Netanyahu. A bandeira “Não à Guerra” deve unir não só todos os socialistas, mas todos aqueles que compartilham a esperança de que o mundo não deve ser dominado pela barbárie da lei do mais forte.
Qual é a estratégia de Israel? O grau de autonomia relativa de Israel diante de Washington foi posto à prova inúmeras vezes desde o início da invasão da Faixa de Gaza, em inúmeras discordâncias com a gestão do Partido Democrata de Joe Biden. Mas, desde a posse de Donald Trump, prevaleceram acordos, inclusive sobre a criminosa intenção de limpeza étnica palestina. Não há dúvidas sobre as afinidades políticas entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu, dois líderes mundiais da extrema direita neofascista.
O genocídio em Gaza, a pretexto de aniquilar o Hamas, a expansão dos assentamentos na Cisjordânia, que desloca a Autoridade Nacional Palestina, e a invasão do Líbano para expulsar o Hezbollah são indivisíveis da guerra contra o Irã. Essas ofensivas obedecem ao cálculo de que a presença de Donald Trump na Casa Branca abriu uma oportunidade de impor uma derrota histórica à causa palestina. Derrotas históricas são aquelas que estabelecem uma relação política de forças pelo intervalo de uma geração. O objetivo de Israel é destruir a independência do Estado iraniano e impor um regime vassalo em Teerã.
A estratégia dos EUA não é diferente, mas responde também a pelo menos outras três necessidades: (a) demonstrar para Moscou e Pequim que há somente um imperialismo no mundo em condições de se impor, política e militarmente, em escala mundial, reafirmando sua supremacia contra o bloco Brics; (b) sinalizar para a Europa que a hegemonia norte-americana........
