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Guerra de narrativas no período eleitoral

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11.08.2026

Em se tratando de eleição, nós, simples portadores de título eleitoral, costumamos não perceber que, na prática, os empregadores são os eleitores, enquanto os empregados são os políticos. Nesse arranjo, o povo acaba sendo apenas um detalhe nesta toada democrática que assola o nosso país há tantos séculos.

Na verdade, deveríamos encarar a situação eleitoral sob uma perspectiva bastante diferente: os políticos são os empregados e os eleitores, os empregadores. Afinal, é o cidadão quem, por meio do voto, concede ao representante um mandato para exercer determinada função pública. Não se trata, portanto, de uma concessão de poder absoluto, mas de uma delegação temporária de responsabilidade.

A retórica, sem dúvida, faz da profissão política o ponto alto metodológico do contexto da representatividade. O trabalhador, em sua maioria, não sabe exatamente o que significa o termo, em um país com uma tradição democrática marcada por distorções sob a forma de narrativas.

Nesta contemporaneidade, que vai além da sociedade do espetáculo e perpassa os chamados tempos líquidos, vivemos um momento em que a retórica alcança uma espécie de encantamento coletivo. Não se trata apenas de convencer, mas de seduzir; não apenas de apresentar propostas, mas de construir narrativas capazes de envolver uma população que, muitas vezes, sobrevive às custas de auxílios e ajudas de custo.

É nesse cenário que a política encontra terreno fértil para transformar necessidade em instrumento de persuasão. Quanto maior a vulnerabilidade social, maior pode ser o poder de uma narrativa que promete proteção, pertencimento ou esperança, e assim o povo vai perdendo a vida e a esperança.

O eleitor, então, deixa de perceber o político como aquele que deve prestar contas e passa a enxergá-lo como aquele de quem depende.

E chegamos às narrativas atuais.

Há candidatos envolvidos em acusações gravíssimas, inclusive relacionadas a crimes sexuais, enquanto outros carregam trajetórias políticas marcadas por denúncias e acusações de corrupção. É necessário, evidentemente, distinguir acusação de condenação. Mas a existência dessas narrativas, por si só, revela o grau de deterioração do debate público e a dimensão do espetáculo político que atravessa o nosso tempo.

Tudo isso acontece em um país cujo salário mínimo, em 2026, é de R$........

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