Existem apenas duas classes sociais: a dos que não comem e a dos que não dormem com medo da revolução dos que não comem
O brasileiro parece ter entrado numa eterna Noite da Agonia. Sobre as cabeças nacionais existe uma trovoada de breaking news. O nosso cotidiano pré-eleitoral vem sendo chamuscado por notícias comprometedoras para a República.
A cada dia, uma nova informação. Uma nova denúncia. Uma nova decisão. Uma nova crise. O cidadão mal consegue assimilar a notícia que acaba de chegar e já é atingido por outra, como se estivéssemos permanentemente sob uma tempestade de acontecimentos. STF, Executivo, Legislativo, investigações, disputas políticas, decisões judiciais e seus inevitáveis desdobramentos compõem um cenário em que a própria República parece respirar sobressaltada.
E talvez seja justamente nesse ponto que uma frase de Milton Santos, geógrafo e pensador brasileiro, adquira uma atualidade incômoda:
“Existem apenas duas classes sociais: s dos que não comem e a dos que não dormem com medo da revolução dos que não comem”
A frase nos remete imediatamente à desigualdade, mas também ao medo. Não apenas à fome material daqueles que vivem submetidos às dificuldades concretas da existência, mas ao temor daqueles que observam as tensões sociais e políticas e percebem que nenhuma estrutura de poder é eternamente imune às pressões que vêm de baixo.
O Brasil já conheceu outras noites em que o poder parecia concentrar-se enquanto a sociedade observava, inquieta, os acontecimentos.
Em 1823, jornais como O Tamoyo e A Sentinela........
