Para o aniversário da mais bela cidade
Escrevi para apresentar o nosso Dicionário Amoroso do Recife:
Manuel Bandeira, no fundamental poema Evocação do Recife, declara trazer de volta um Recife sem história, um Recife que era feito apenas pela infância do poeta, pelo que declara.
“Recife Não a Veneza americana Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais Não o Recife dos Mascates Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois Recife das revoluções libertárias Mas o Recife sem história nem literatura, Recife sem mais nada
Recife da minha infância...”
Como poderíamos contestar a poesia? Seria como uma absurda luta contra uma estrela, por uma vida inteira. Na verdade, na construção dos versos de Evocação do Recife, a história referida pelo poeta é a história dos livros, didáticos e escolares, daquela história dos grandes feitos, dos grandes personagens e heróis, dos grandes nem sempre grandes, mas sempre disformes e ausentes de humanidade. Enquanto fala “o Recife sem história”, o poeta fala a sua história particular, de um tempo ressuscitado pela evocação. Ou invocação do que parecia perdido, do que mais sentimos. Como seria bom evocar e invocar, mastigar, beber, respirar e acariciar o Recife.
Os mortais comuns somos consolados pela salvação de que, se não possuímos a felicidade da poesia de Bandeira, também temos uma história do Recife, e não somente a história que temos vivido, mas a do sentido de dar voz a um Recife que amamos, e que tem nesse amor também uma história, um registro digno de ser gravado, pois tudo é história, até mesmo o que não nos damos conta. E por isso a contamos, à maneira de cantar.
O Recife tem várias cores e tons. Várias estações em um só dia. Quando eu ia para o trabalho no centro da cidade, e por força de mudança de turnos dos expedientes, pude ver o Recife em diferentes horários.........
