Crônica para o guerreiro José Amaro Correia
Divulguei esta crônica na Rádio Jornal do Recife, programa Movimento de Marcelo Araújo, em 4 de junho:
em um trecho do Dicionário Amoroso do Recife, escrevi:
“José Amaro Correia, Zé Amaro, ou Mário, como o chamamos, era e continua a ser um socialista, militante político, preso em 1973 no DOI-CODI no Recife…
Quando eu lhe perguntei se depois de tanta luta, se alguma vez ele não pensou em desistir, quando ele estava cego, e que eu sabia estar com problemas circulatórios, pressão alta, e que piorava todas as vezes em que se emocionava, ele me respondeu:
— Desistir? Nunca! Às vezes me dá uma preguiça. Mas dá e passa.
Então ele me conduziu, tateante, devagar, até o portão. Às vezes virava a cabeça de lado para ver o meu vulto, quem sabe, algum traço. Talvez não visse mais nem sequer a minha sombra. E não dizia. Mas entendo. Eu devia ser mais real que o seu sonho, que um dia ele escreveu num poema:
‘Vivo semeando o........
