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Aniversário de Lima Barreto

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12.05.2026

Neste 13 de maio, lembramos os 145 anos do nascimento de Lima Barreto, escritor fundamental da nossa literatura. A Wikipédia publica que “Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 13 de maio de 1881 – Rio de Janeiro, 1 de novembro de 1922) foi um jornalista e escritor brasileiro, identificado com o pré-modernismo”

Mas já aí, em seu primeiro parágrafo começa a desinformação. Como identificar Lima Barreto com um chamado pré-modernismo? Isso quer significar que ele escreveu antes da famosa Semana de Arte Moderna? Mas como manter a vinculação de Lima Barreto a um pré-movimento que nada tinha a ver com os romances, contos e artigos do escritor? Então ocorre um atentado pior: quando clicamos no pré-modernismo da Wikipédia, eis o que se abre: “O pré-modernismo (ou ainda estética impressionista) foi uma fase literária, ou também considerado um período sincrético histórico-literário brasileiro, que marca a transição entre o simbolismo e o movimento modernista. Em Portugal, o pré-modernismo configura o momento denominado saudosismo”.

Com absoluta certeza, jamais os redatores do verbete leram Carlos Nelson Coutinho em “O significado de Lima Barreto na Literatura brasileira” . Se o tivessem lido, saberiam disto:

“Com Lima Barreto, iniciou-se para a literatura brasileira uma nova etapa – moderna e popular – do realismo. Tanto em sua obra estética quanto em sua produção jornalística, o romancista carioca rompe decisivamente com qualquer versão do ‘intimismo à sombra do poder’, colocando com grande clareza a dimensão social e humanista do ofício literário. Diante de todas as questões que enfrentou, como escritor ou periodista, Lima sempre tentou encontrar (e na esmagadora maioria dos casos efetivamente encontrou) uma resposta autenticamente democrática e popular, capaz de abrir novos horizontes – ideológicos e estéticos – para a cultura e para a arte de nosso país.”

Um alcance certeiro é dado por esta frase magistral, definidora do crítico Antonio Arnoni Prado:

“Ler os livros de Lima Barreto é de alguma forma participar do drama do intelectual sitiado. Mais talvez do que isso, é um exercício de consciência histórica que conta com a vantagem, como poucas noutro escritor brasileiro, de um difícil testemunho: constatar como a vida, e nesta a opressão e o fracasso, se converte em literatura”.

E como está em texto do pensador e crítico José Carlos Ruy:

“Crítico ferino e mordaz dos hábitos e formas de pensar da elite de seu tempo, defensor persistente de reformas profundas na sociedade brasileira, necessárias para melhorar a vida do povo, Lima Barreto viveu em uma época que, sob muitos aspectos, assemelha-se à nossa. De um lado a alienação de setores da elite, plasmada na imitação servil do estrangeiro, no deslumbramento daqueles que pensam que somente com a modernização, isto é, adoção de hábitos, modos de vida e formas de pensar brancos e europeus, é que o Brasil poderá vencer o atraso e embarcar no bonde da história rumo ao progresso. De outro lado as entranhas reais do país, escondidas sob o tênue verniz modernizante: a permanência de estruturas sociais arcaicas e........

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