Quando a igreja vira comitê da extrema direita, Jesus Cristo deixa de ser Deus para ser cabo eleitoral
O problema já não pode mais ser tratado como desvio individual de um ou outro político. Quando lideranças como Donald Trump ou Jair Bolsonaro se colocam, direta ou indiretamente, em paralelo com Jesus Cristo, não estamos diante apenas de um excesso retórico ou de uma provocação calculada.
Estamos diante de um fenômeno mais profundo, que só se sustenta porque encontra respaldo ativo — ou omisso — dentro de espaços religiosos.
É preciso dizer com todas as letras: há uma responsabilidade direta de dirigentes e líderes religiosos que, ao invés de conter esse tipo de distorção, a alimentam.
Os interesses variam, seja por conveniência política, por alinhamento ideológico ou por cálculo financeiro de acesso ao poder, transformaram igrejas em espaços de propaganda, púlpitos em palanques e comunidades de fé em bases eleitorais organizadas.
Esse processo não é neutro. Ele corrói, por dentro, o sentido mais profundo da experiência religiosa.
Quando um líder político é apresentado como "escolhido por Deus", quando críticas a ele são tratadas como perseguição ao bem, quando sua trajetória é comparada ao sofrimento de Cristo, o que está em jogo não é apenas uma leitura equivocada da realidade. É a instrumentalização da........
