Sancionar PCC e CV: viés eleitoral e o risco de fortalecer as milícias no Brasil
A decisão dos Estados Unidos de impor sanções ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) não pode ser lida apenas como estratégia de segurança transnacional. Ela carrega um claro viés eleitoral. Em ano de disputas, nos EUA e no Brasil, gestos de "linha dura" contra o crime organizado rendem capital político, projetam força eleitoral e respondem a bases eleitorais que exigem respostas simbólicas para a crises de segurança pública, incluindo a questão do fentanil e a imigração nos EUA. E, no Brasil, rendem dividendos à extrema-direita que tem parte do capital eleitoral baseada no populismo penal.
O problema é que medidas espetaculares e midiáticas, pensadas para consumo eleitoral de bolhas herméticas produzem efeitos colaterais concretos no território brasileiro.
Nos grandes centros urbanos, milícias, PCC e CV travam uma guerra territorial permanente. Enquanto as facções dominam rotas de tráfico e presídios e ampliam seu poderio com lavagem de dinheiro no sistema financeiro, as milícias avançam controlando gás, internet clandestina, transporte alternativo, venda de imóveis e cooptação de........
