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Ou a esquerda muda a comunicação com as periferias, ou começa a questionar as urnas eletrônicas

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Evocando uma fala atribuída a Jesus Cristo, digo que não vim trazer a paz neste post. Vim trazer a espada. Uma espada que precisa ser desembainhada, erguida e apontada para a jugular dos problemas que levaram a esquerda e suas alianças a serem engolidas nessas eleições. Uma espada cujo fio precisa causar incômodo ao discurso excessivamente econômico — com foco na descoberta de terras raras e exaltação do PIB — e vaidosamente acadêmico — uma armadilha do método Lemann de educação, que financia a eleição de alguns políticos do campo progressista — que vem tomando conta do segmento progressista nas últimas décadas.

Como já dizia a economista Maria da Conceição Tavares, “o povo não come PIB”. O povo come pão. Quando tem. Discursos com foco no crescimento econômico do país só são absorvidos pela bolha intelectual da esquerda. O povo não sabe nem o que é PIB. Se fizerem uma pesquisa nas ruas sobre o significado da sigla, muitos devem responder que é um sinal sonoro de alerta de invasão estrangeira. Nessa definição, o PIB brasileiro tende a disparar ainda mais caso a eleição do filho do seu Jair se confirme. E não falo isso com deboche ou desprezo. Sou filho de uma ex-empregada doméstica, cresci na Baixada Fluminense, peguei trem lotado, andei a pé para economizar vale-transporte e usá-lo para comprar “mistura” no açougue, trabalhei em escala 6×1, 12×36 e até 7×0. Tenho lugar de fala para descrever a realidade da maioria do povo brasileiro. Posso e sei usar a linguagem acadêmica para descrever essa realidade. Posso rebuscar o texto com paráfrases, metáforas, metonímias, alusões mirabolantes, citações a filósofos e intelectuais de referência para impressionar. Impressionar quem? Com quem estou querendo me comunicar? Quem eu estou querendo que me veja como alguém conhecedor da realidade da maioria da população? A quem eu irei atingir com o meu exibicionismo verbal? Eu estaria propondo uma mudança coletiva dessa realidade ou apenas querendo provar que eu mudei pessoalmente a partir dela? A quem a esquerda branca e majoritária quer convencer neste momento atual com sua linguagem cheia de gramscismos e adornismos “revolucionários”? As urnas abertas ontem........

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