Evangelismo cultural e capitalismo teocrático: Jesus is the new black
Houve um tempo em que as pessoas, ao serem questionadas sobre qual era a sua religião, respondiam que eram católicas. Algumas se diziam praticantes, que eram aquelas que iam à missa todo domingo e participavam dos sacramentos da Igreja. Outras se diziam católicas não praticantes, que eram aquelas que só iam à missa em datas festivas ou penitenciais, como a Quarta-Feira de Cinzas, quando os pecados cometidos no Carnaval eram perdoados com um punhado de "carvão" na testa. Tal informação constava nos formulários do IBGE, que apontavam qual religião predominava no país. Herança religiosa da colonização, o catolicismo sempre foi parte integrante da cultura brasileira, moldando a subjetividade popular e o comportamento social com base na sua doutrina. Algo que foi deixando de ser uma espécie de monopólio religioso a partir da presença mais ativa do protestantismo na sociedade.
Trago este tema à tona após ler uma matéria da revista Veja a respeito das religiões declaradas pelos jogadores da seleção brasileira de futebol, onde a fé evangélica predomina entre os atletas. Segundo a matéria, assinada pelo jornalista Valmir Moratelli, se declaram evangélicos: Alisson (Liverpool), Ederson (Fenerbahçe), Weverton (Grêmio), Alex Sandro (Flamengo), Bremer (Juventus), Douglas Santos (Zenit), Gabriel Magalhães (Arsenal), Ibañez (Al-Ahli), Léo Pereira (Flamengo), Wesley (Roma), Bruno Guimarães (Newcastle), Danilo Santos (Botafogo), Fabinho (Al-Ittihad), Lucas Paquetá (Flamengo), Endrick (Lyon), Gabriel Martinelli (Arsenal), Igor Thiago (Brentford), Luiz Henrique (Zenit), Matheus Cunha (Manchester United), Neymar (Santos), Raphinha (Barcelona), Rayan (Bournemouth), Vini Jr. (Real Madrid). Ainda segundo o texto, “há um católico apenas, Marquinhos (PSG). Casemiro (Manchester United) não fala qual sua religião, mas se denomina “cristão”. E Danilo (Flamengo) não comenta sobre o assunto.”
Sem nenhum tipo de moralismo ou julgamento ao comportamento de alguns dos atletas citados como evangélicos, chama a atenção ver entre eles alguns jogadores conhecidos por algumas polêmicas fora de campo. Incluo à lista dos “ungidos” da bola nomes como Robinho e Daniel Alves, ex-jogadores da seleção que também se declaravam evangélicos e estiveram envolvidos em acusações........
