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Governar é antecipar: a estratégia que decidirá 2026

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03.03.2026

O Brasil entra em um ciclo de alta tensão marcado por crise internacional, disputa informacional e reorganização da extrema-direita. Nesse cenário, não basta governar nem comunicar bem. É preciso antecipar ataques, preparar a percepção coletiva e disputar o sentido da realidade antes que ele seja capturado por operações políticas, econômicas e psicológicas. A diferença entre estabilidade e colapso não estará nos fatos, mas em quem chegar primeiro à mente da sociedade.

O tempo da política foi capturado pela antecipação

A política contemporânea deixou de operar no tempo dos acontecimentos e passou a se organizar no tempo da percepção. Investigações sobre plataformas digitais, intensificadas após o escândalo envolvendo Facebook e Cambridge Analytica, evidenciaram que conteúdos baseados em medo, conflito e indignação são privilegiados por sistemas de recomendação. Isso alterou o próprio funcionamento do debate público: quem antecipa a interpretação de um fato passa a controlar seus efeitos.

As instituições, no entanto, ainda operam em um tempo que já não existe. A lógica dominante continua sendo anunciar, reagir e corrigir. Esse modelo foi funcional em um ambiente de comunicação mais lento e concentrado. Hoje, ele produz vulnerabilidade. No Brasil, episódios recentes envolvendo ajustes em sistemas digitais de pagamento e debates sobre regulação tecnológica seguiram o mesmo padrão: decisões que exigiam compreensão pública chegaram sem preparação e foram rapidamente absorvidas como ameaça.

Nesse ambiente, não existe fato neutro. Toda decisão entra em disputa no instante em que é percebida. Quando não há construção prévia de sentido, esse espaço é ocupado por interpretações mais simples, mais emocionais e mais rápidas. Governar, portanto, deixou de ser apenas decidir corretamente. Passou a exigir algo anterior: organizar como a sociedade compreenderá a decisão antes que ela exista.

A extrema-direita atua antes do acontecimento

A extrema-direita contemporânea não opera no tempo da reação, mas no da preparação. Sua força está na capacidade de estruturar, com antecedência, o modo como os fatos serão recebidos. Antes que um evento ocorra, já existe uma moldura interpretativa pronta, geralmente baseada em insegurança, ameaça moral e desconfiança institucional.

Esse padrão é observável. Nos Estados Unidos, a construção antecipada de desconfiança sobre o sistema eleitoral antecedeu a contestação dos resultados em 2020. No Brasil, o mesmo mecanismo se manifesta na amplificação recorrente........

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