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O fim da ordem e o custo da ambiguidade

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24.02.2026

Robert Kagan acaba de escrever o obituário da ordem liberal. Seu artigo na The Atlantic, edição de março, não é um exercício teórico. É uma declaração de ruptura. Quando um dos arquitetos intelectuais da hegemonia americana afirma que os Estados Unidos decidiram, por vontade política, abandonar o papel de garantidores da ordem liberal, o mundo não entra em “ajuste”. Estamos diante de uma transição de regime internacional.

Na última semana, Kagan repetiu o vaticínio em uma entrevista à revista alemã Der Spiegel. Ele é duro ao anunciar o fim da ordem transatlântica, que sustenta a estabilidade ocidental nos últimos 80 anos. Afirma que a Guerra Fria poderá parecer, em retrospecto, um período menos arriscado do que o que agora se desenha. O mundo caminha para a fase mais perigosa desde 1945.

Para o Brasil, o risco não é a multipolaridade em si. É a ilusão de que ainda podemos operá-la com as ferramentas, a linguagem e o conforto estratégico da década........

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