Trump e Artemis II
A chegada do homem à Lua em 1969 foi um dos momentos mais extraordinários da história. Não apenas pela proeza tecnológica, mas pelo que ela simbolizou: a capacidade de uma sociedade de mobilizar ciência, planejamento, recursos e imaginação coletiva para ultrapassar limites que pareciam intransponíveis. Foi um salto civilizatório — um instante em que o poder foi colocado a serviço do conhecimento, da curiosidade e da expansão do horizonte humano.
Hoje, décadas depois, esse impulso retorna com força renovada. O programa Artemis — e, de forma particularmente emblemática, o retorno bem-sucedido dos astronautas da missão Artemis II — projeta a presença humana de forma mais duradoura no espaço e representa muito mais do que uma missão científica. Ele sintetiza avanços tecnológicos de ponta — em propulsão, inteligência artificial, materiais e engenharia de sistemas — e aponta para um novo ciclo de inovação com impactos que transcendem o setor espacial. Trata-se de um esforço que envolve cooperação internacional, articulação entre Estado e setor privado e uma visão de longo prazo sobre o lugar da humanidade no cosmos.
É, em essência, um momento que deveria mobilizar orgulho, reflexão e sentido histórico. Um momento de grandeza para a humanidade.
Há, no entanto, um aspecto ainda mais revelador nesse contraste. Os Estados Unidos, que já foram capazes de transformar a chegada do homem à Lua em um marco civilizatório global, mostram hoje, com Donald Trump, uma impressionante incapacidade de reconhecer e capitalizar um feito dessa natureza. Em outro momento histórico, um avanço como o representado pelo programa Artemis II seria celebrado como símbolo de liderança, de projeção de futuro, de grandeza nacional. Hoje, porém, ele é eclipsado.
Absorvido por uma obsessão por guerras, particularmente pela escalada militar contra o Irã, o presidente dos Estados Unidos revela não apenas uma escolha política, mas uma limitação mais profunda: a incapacidade de compreender a dimensão histórica do próprio tempo.
Enquanto a ciência avança e projeta o futuro, a política se apequena, reduzida à mediocridade do confronto imediato.
Mas é justamente nesse contraste que se revela algo profundamente inquietante: enquanto a........
