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Lula em Évian: quando a política externa também entra na disputa eleitoral

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15.06.2026

Enquanto boa parte do debate político brasileiro permanece absorvida pelas disputas cotidianas de Brasília, uma cena ocorrida a milhares de quilômetros do país merece atenção. Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Évian, na França, para participar da reunião ampliada do G7, grupo que reúne as principais economias desenvolvidas do Ocidente.

O Brasil não é membro do G7. Ainda assim, foi convidado a participar das discussões em um momento particularmente delicado para a economia e para a geopolítica mundial. A guerra na Ucrânia continua sem solução. O conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos mantém elevada a tensão no Oriente Médio. As disputas comerciais entre Washington e Pequim se aprofundam. O avanço da inteligência artificial redefine estratégias industriais. E a própria ordem internacional construída após a Segunda Guerra Mundial atravessa um período de transformações profundas.

Nesse cenário, a presença de Lula não é apenas um gesto protocolar. Ela reflete uma realidade que vem se consolidando desde o início de seu terceiro mandato: o retorno do Brasil aos grandes fóruns internacionais.

Entre 2019 e 2022, o Brasil trocou uma das diplomacias mais respeitadas do Sul Global por uma política externa errática, frequentemente guiada por afinidades ideológicas e disputas culturais importadas do ambiente político norte-americano. O governo Bolsonaro acumulou atritos com parceiros históricos, afastou-se de importantes fóruns multilaterais, enfraqueceu sua liderança regional e viu a imagem internacional do país deteriorar-se em razão da condução da política ambiental e dos frequentes ataques às instituições democráticas. Um país que durante décadas havia sido reconhecido por sua capacidade de construir pontes passou a ser visto, muitas vezes, como fonte de instabilidade e imprevisibilidade.

O contraste com o momento atual é evidente.

Hoje, o Brasil participa simultaneamente dos BRICS, do G20, das negociações climáticas, dos fóruns de governança global e dos encontros promovidos pelas economias centrais. Poucos países possuem capacidade semelhante de dialogar ao mesmo tempo com Estados Unidos, Europa, China, África, Oriente Médio e América Latina.

Essa posição confere ao país uma relevância que vai além de seu peso econômico.

Um mundo em transição

Para compreender plenamente o significado da presença de Lula em Évian, é preciso lembrar o que representa o próprio G7. O grupo surgiu em meados da década de 1970 reunindo Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e,........

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