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Cuba, Irã e a obsessão americana por mudar regimes

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17.05.2026

A nova ofensiva de Donald Trump contra Cuba surge em um momento de crescente instabilidade internacional e reafirma uma tradição histórica profundamente enraizada na política externa dos Estados Unidos: a tentativa recorrente de pressionar, isolar e enfraquecer governos considerados incompatíveis com seus interesses estratégicos. Mais do que uma disputa bilateral com Havana, a retomada das sanções e ameaças revela a persistência de uma lógica intervencionista que atravessa décadas — da Guerra Fria às guerras contemporâneas — frequentemente legitimada em nome da democracia, mas marcada por bloqueios econômicos, ingerências políticas e graves consequências sociais para populações inteiras.

A ofensiva mais concreta ocorreu em 1º de maio de 2026, quando Trump assinou uma nova ordem executiva ampliando significativamente as sanções econômicas contra a ilha. A medida foi apresentada como parte de uma estratégia de “pressão máxima” sobre o governo cubano.

Ao longo dos primeiros meses de 2026, a escalada ganhou dimensão maior por meio de declarações públicas de Trump e de integrantes de seu governo, especialmente o secretário de Estado Marco Rubio. Em janeiro, Trump afirmou que Cuba deveria “fazer um acordo antes que seja tarde demais”, enquanto Washington passou a pressionar terceiros países para restringirem exportações de petróleo destinadas à ilha.

Em fevereiro, Trump chegou a sugerir uma espécie de “friendly takeover” (“tomada amigável”) de Cuba, declaração que provocou forte repercussão internacional e alimentou temores de uma escalada ainda maior.

A retórica voltou a subir de tom em maio, após movimentações diplomáticas e de inteligência envolvendo Havana. O diretor da CIA, John Ratcliffe, declarou que Cuba “não poderia mais servir de refúgio seguro para adversários dos EUA”, vinculando a ilha a preocupações estratégicas envolvendo China, Rússia e Irã.

Mais do que um episódio isolado envolvendo Cuba, a nova escalada americana recoloca em evidência uma característica histórica da política externa dos Estados Unidos: a crença de que Washington possui legitimidade para pressionar, isolar ou enfraquecer governos considerados hostis aos seus interesses.

Essa lógica atravessa décadas. Esteve presente nas intervenções na América Latina que contribuíram para ditaduras militares sanguinárias, reapareceu nas guerras do Oriente Médio após o 11 de Setembro e continua hoje por trás da........

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