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China como âncora: estabilidade ou instabilidade em um mundo em crise?

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24.01.2026

A economia mundial atravessa, desde a crise financeira de 2008, um período prolongado de instabilidade estrutural. Choques financeiros, sanitários, energéticos, climáticos e geopolíticos deixaram de ser episódios excepcionais e passaram a integrar o funcionamento regular do capitalismo global. Nesse ambiente, as economias centrais perderam capacidade de coordenação, e a governança multilateral construída no pós-guerra revelou limites profundos.

É nesse vazio que a China passou a exercer, na prática, um papel central na sustentação do sistema econômico internacional. Não por assumir formalmente uma liderança global, nem por compromisso com a ordem liberal, mas pela escala de sua economia, pela centralidade nas cadeias globais de valor e por uma estratégia de desenvolvimento fortemente ancorada no Estado, na indústria e no controle macroeconômico.

A China e a estabilização do lado real da economia mundial

Após 2008, enquanto Estados Unidos e Europa enfrentavam crises bancárias, desemprego elevado e políticas de austeridade, a China respondeu com expansão do investimento público, crédito direcionado e preservação da capacidade industrial. Esse movimento sustentou a demanda global por commodities, evitou um colapso mais profundo do comércio internacional e contribuiu para conter pressões inflacionárias ao garantir oferta abundante de bens manufaturados.

Durante a pandemia, esse papel tornou-se ainda mais visível. Em meio à ruptura das cadeias produtivas globais e ao colapso logístico internacional, foi a capacidade industrial chinesa que permitiu recompor rapidamente a oferta de equipamentos médicos, insumos estratégicos e bens intermediários. Enquanto as economias centrais recorriam a políticas monetárias ultra expansionistas, aprofundando desequilíbrios financeiros, a China sustentava o funcionamento do lado real da economia mundial.

Estabilização sem coordenação

Essa forma de estabilização, no entanto, ocorreu sem reformas institucionais correspondentes. A arquitetura monetária internacional permaneceu praticamente inalterada, incapaz de lidar com superávits e déficits persistentes entre grandes economias. Não houve coordenação cambial, nem mecanismos multilaterais eficazes de ajuste.

O sistema seguiu........

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