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Deslocamento geoeconômico e populacional

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26.02.2026

Desde o final do século XX, o Brasil vem mudando de forma relevante o seu padrão histórico de ocupação do território. Após décadas em que a produção, a população e a ocupação se concentravam nas grandes metrópoles litorâneas, observa-se uma crescente desconcentração relativa.

O interior do país e as cidades médias crescem mais rapidamente do que as capitais e as regiões metropolitanas tradicionais. Esse deslocamento não é apenas demográfico, pois se apresenta como expressão direta da transformação estrutural do capitalismo contemporâneo, que impõe novos desafios para a governança do território, o planejamento, as políticas públicas, a produção de estatísticas e as geociências oficiais.

A nova geoeconomia do país resulta de um duplo movimento que acontece simultaneamente. De um lado, o processo de desindustrialização foi mais intenso nas áreas metropolitanas litorâneas, uma vez que somente as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre responderam por quase quatro quintos da desindustrialização do país.

De outro lado, a especialização da estrutura produtiva, mais voltada à produção primário-exportadora, avançou para a sua interiorização. Tanto assim que pode estar apontando para uma espécie de marcha para o Oeste brasileiro, considerando a evolução do movimento redistributivo da população, da produção e das ocupações no espaço nacional.

Com isso, os antigos centros industriais localizados nas regiões litorâneas perdem parcela da densidade produtiva e empregos no setor manufatureiro. Em sequência, novas áreas do interior do país ganham dinamismo econômico, impulsionado pela especialização produtiva, sobretudo pelo protagonismo do setor primário-exportador.

Mudanças na dinâmica populacional e nos fluxos migratórios

Dados censitários e estimativas populacionais indicam que, entre 2000 e 2022, os municípios não metropolitanos tiveram crescimento médio superior ao das capitais e regiões metropolitanas. Naquele mesmo período, as capitais expandiram, em média, 0,8% ao ano; as regiões metropolitanas sem capitais, 1,0%; os municípios do interior, 1,3%; e as cidades médias (100 a 500 mil habitantes), 1,6%.

Essas informações sinalizam uma mudança do eixo dinâmico populacional, com destaque para as cidades médias no interior das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Trata-se de uma mudança de padrão vinculada ao novo perfil migratório, uma vez que atualmente predominam migrações urbano-urbano, muitas vezes de curta distância.

As regiões metropolitanas do país, como São Paulo e Rio de Janeiro, têm registrado saldos migratórios internos negativos, ao mesmo tempo em que os polos regionais do interior absorvem........

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