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O que você é quando ninguém mais precisa do seu trabalho?

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28.03.2026

Se ninguém mais precisa do seu trabalho, duas ilusões entram em colapso ao mesmo tempo: a de que você é necessário para o funcionamento do mundo e a de que seu valor depende dessa necessidade. E então sobra o que sempre esteve ali - mas encoberto.

Durante milênios, o trabalho foi o eixo em torno do qual organizamos a existência. Não apenas como meio de sobrevivência, mas como fonte de identidade, dignidade e pertencimento. A pergunta “o que você faz?” tornou-se, na prática, “quem você é?”. Já notaram que, quando somos apresentados a uma pessoa, quase invariavelmente a primeira coisa que queremos saber é sua atividade profissional? A partir da resposta deduzimos uma série de dados a respeito do interlocutor. E, não raro, nosso interesse e curiosidade termina aqui.

Esse vício comportamental é praticamente universal. Na Índia, por exemplo, o sistema de castas é definido sobretudo pela profissão da pessoa. Por ordem hierárquica, a casta mais alta é a dos brâmanes (sacerdotes, intelectuais); vem a seguir a dos kshatrias (militares, governantes); seguida pela casta dos vayshias (mercadores, comerciantes); a seguir vem os shudras (artesãos, operários, trabalhadores, camponeses); e finalmente a casta mais baixa, a dos dalit (conhecidos como “intocáveis” (os que se dedicam a atividades “impuras”, como lavagem de latrinas, criação de porcos, etc). O sistema de castas é uma das estruturas sociais mais antigas e complexas do mundo. Ele combina, além da profissão, religião, cultura e organização........

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