13 motivos para votar em Lula
Faltando 21 dias para o primeiro turno, com as revelações sobre o escândalo do Banco Master finalmente vindo todas à tona, o cenário está claro. Temos, de um lado, o presidente Lula, com todas as limitações de sua política de frente ampla e de sua aversão ao enfrentamento. Do outro, Flávio Bolsonaro, como principal representante de um projeto regressivo que aparece também nas figuras de Ronaldo Caiado, de Romeu Zema, de Renan Santos e, com uma roupagem menos agressiva, de Augusto Cury.
Serão Lula e Flávio Bolsonaro que, com certeza quase absoluta, se enfrentarão no segundo turno. Mesmo com toda a exposição das tramas escusas do filho de Jair, o império sobre sua base é tão grande que o derretimento de sua candidatura é muitíssimo improvável.
Por isso, a disputa que se avizinha difícil. E ela terá um profundo impacto no futuro do Brasil. Apresento aqui uma breve relação do que está em jogo na eleição do mês que vem – e que deve orientar o voto de todos nós. Sem triunfalismo lulista, mas com realismo.
(1) Democracia – Quando promulgou, em 1988, a nossa Constituição escrita “com ódio e nojo a ditadura”, Ulysses Guimarães enunciou aquilo que, então, era o consenso mínimo da elite política brasileira. Muitos se esforçaram, com grande sucesso aliás, para impedir qualquer punição pelos crimes cometidos durante o período autoritário. Mas ninguém, nem mesmo nos partidos de direita, se apresentava na esfera pública defendendo uma volta a ele – exceto meia dúzia de generais do pijama, que se julgava que eram politicamente irrelevantes.
Isso mudou no momento da agitação com vistas à deflagração do golpe de 2016. De forma surpreendente, o discurso de defesa da ditadura, da perseguição aos adversários, até mesmo da tortura, ganhou tração e passou a empolgar amplos setores da população.
Podemos e devemos discutir os motivos disso: os limites do nosso experimento democrático, a insuficiência das políticas igualitárias. Ainda assim, a erosão do tabu que impedia a defesa da ditadura representa um grave retrocesso.
Jair Bolsonaro, que passou de figura marginal a líder político de alcance nacional exatamente com este discurso, ocupou todo seu mandato tramando formas de permanecer na presidência mesmo sem autorização do eleitorado. Não apenas estimulou o descrédito nas urnas e perseguiu adversários como também não economizou medidas de força para desvirtuar o resultado – incluindo a tentativa de impedir que eleitores exercessem seu direito. Depois da vitória de Lula, buscou apoio dos chefes militares e mobilizou sua base popular para desferir um golpe, culminando no 8 de janeiro.
A punição aos golpistas foi um dos triunfos que a democracia brasileira teve nos últimos tempos. A vitória de Flávio Bolsonaro significará não apenas a reversão dessa punição como também um ataque ainda mais feroz às instituições democráticas. Caso eleito, Flávio Bolsonaro fará de tudo para ser o ditador que seu pai não conseguiu ser.
(2) Liberdades – O governo do Bolsonaro pai nunca escondeu sua vocação liberticida. Perseguição à imprensa, às universidades e às escolas, à ciência, aos produtores culturais. O filho segue no mesmo caminho. Ditadura – a forma de governo que eles preferem – não combina com liberdade para ninguém.
(3) Igualdade – A igualdade é um valor central da democracia e também está no coração de qualquer concepção de sociedade justa. A........
