Pais dos pais
Nunca os vi, mas ouvi tantas histórias que peguei intimidade. Te apresento meus avós, João e Constantino.
Ditão, vamos chamar assim, se gabava, “sou o Don Juan do Catete”. Um malandro vaidoso a desfilar de chapéu, terno branco e sapatos de verniz em duas cores pelo Rio antigo.
Naquela tarde, depois de uma talagada no boteco, bateu à porta de Lili, uma amiga da família. Visita surpresa em horário em que o marido de Lili – portanto, seu amigo – estava no quartel e as crianças na escola. O canalha entrou sem convite e conversou meloso. Olhou de cima a baixo e atacou, agarrando Lili pela cintura. Tentou o beijo, em troca levou uma bofetada, tão forte que o chapéu voou.
Ditão ainda tentou novo abraço, Lili se esquivou, pegou a tesoura em cima da máquina de costura e partiu pra cima. O cafajeste saiu correndo, o chapéu ficou pra trás.
No dia seguinte, Ditão recebeu uma carta de poucas linhas. Em fúria, João, o marido de Lili, escrevera.
“Não há perdão para o que fizeste, crápula asqueroso. Querias estuprar minha esposa........
