Jornais e jornaleiros
Se a banca de frutas oferece banana, laranja e abacate; se a banca de peixe vende sardinha, garoupa e robalo, por que a banca de jornal não tem mais manchete, foto ou aquela crônica com chamada na primeira página?
Dois amigos mineiros, bambas na Literatura e no Jornalismo, me provocaram: “Alguém precisa escrever uma crônica sobre bancas de jornal que não vendem jornal”.
Os dois viveram uma época exuberante de jornais e de jornaleiros. Supervendas em superbancas. Fartas, repletas de cultura e até com ar-condicionado, algumas bancas funcionavam vinte e quatro horas por dia.
Revistas semanais ou mensais, de Música, História, Esporte, Literatura, Moda, Variedades; todas recheadas de assuntos interessantes em textos soberbos naquele papel brilhante, gostoso de passar as mãos e os olhos.
Os jornais chegavam aos milhares em caminhões lotados na madrugada. Logo eram exibidos, como rubis na joalheria. E, em instantes, pedestres estavam paralisados diante das primeiras páginas, tudo ali: o resultado do futebol, o último escândalo de Brasília, a foto definitiva, o preto no branco.
A informação logo cedo, antes até da média com pão e manteiga na padaria. Aliás, a padaria oferecia os jornais do dia, que também nos esperavam na barbearia, nos consultórios, no banco traseiro do táxi.
De repente,........
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