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A nova escalada imperialista na América Latina: Venezuela como epicentro de um novo pretexto geopolítico dos Estados Unidos

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06.01.2026

Em mais um ataque à soberania dos países latino-americanos, os Estados Unidos sequestraram o presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, demonstrando, mais uma vez, como se colocam no direito de intervir na política interna de uma nação soberana. Esse comportamento, de caráter hegemônico, ao infringir a soberania venezuelana, viola o direito internacional e ameaça a paz na América Latina e no Caribe.

A Venezuela é um país que, com a Revolução Bolivariana, deixou de se curvar aos interesses econômicos do imperialismo mundial sobre o seu petróleo (as maiores reservas do mundo). Iniciada no final do século XX e consolidada no século XXI sob a liderança de Hugo Chávez, essa revolução transformou a Venezuela de um país periférico no cenário latino-americano em um epicentro de avanços sociais e de políticas radicais no sentido da melhoria da qualidade de vida de seu povo. Desencadeada por eventos como o “Caracazo” (1989), ela não apenas reconfigurou as forças internas do país, mas também se tornou um dos eventos mais significativos da região no novo milênio, resgatando e atualizando o projeto de integração de Simón Bolívar e o legado socialista da Revolução Cubana. Ao introduzir novamente os conceitos de socialismo e luta de classes após a queda da União Soviética na América Latina, o chavismo organizou um grande movimento de contestação da dominação burguesa e imperialista, retirando a esquerda da defensiva imposta pela hegemonia neoliberal.

Durante os governos de Hugo Chávez, a Venezuela registrou um período de crescimento acelerado, impulsionado pela forte atuação estatal na exploração do petróleo, que chegou a patamares próximos de três milhões de barris por dia. Essa capacidade produtiva viabilizou políticas redistributivas de grande escala, resultando em aumento real da renda das camadas mais pobres ao longo da primeira década do século XXI. Em 2005, a UNESCO declarou a Venezuela território livre do analfabetismo, um marco social relevante no contexto latino-americano. No mesmo período, o Índice de Desenvolvimento Humano do país avançou de 0,695, em 1999, para 0,771, em 2013, refletindo melhorias em renda, educação e expectativa de vida. Após a morte do líder bolivariano, teve início uma escalada sistemática de intervenções e pressões externas lideradas pelos Estados Unidos. O cerco econômico e político imposto à Venezuela não tem como objetivo o combate ao narcotráfico nem a defesa abstrata da democracia, mas sim a contenção de um projeto soberano que contrariou interesses estratégicos no sistema energético e financeiro internacional.

Seu sucessor, Nicolás Maduro, foi reeleito presidente em 2024 com 51,20%, o que representa mais de 5 milhões de........

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