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Dívida pública dos países atrasados: armadilha financeira levada aos limites da insanidade

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08.10.2026

O relatório internacional publicado no Brasil sob o título Dívida Agrava Crise Climática: como o financiamento flui, de setembro último, teve sua pesquisa e elaboração analítica conduzidas pela ActionAid Internacional em parceria técnica com a organização especializada Development Finance International (DFI). O documento representa a quarta edição da série temática de relatórios investigativos da entidade, que acompanha sistematicamente as assimetrias no sistema financeiro internacional, elaborados entre 2023 e 2026. A investigação metodológica articulada pela DFI e pela ActionAid cruza quatro matrizes orçamentárias e financeiras fundamentais: a arrecadação governamental consolidada (receitas públicas), o volume de desembolsos projetados para amortização e juros da dívida soberana, as dotações orçamentárias nacionais aprovadas e as obrigações estipuladas nos planos climáticos submetidos pelos Estados à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC).

Publicado em 16 de setembro de 2026, a base do relatório são projeções e bases de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), Leis Orçamentárias Anuais (LOAs) e balanços fiscais declarados por governos nacionais. Todas as cifras financeiras apresentadas configuram estimativas e alocações orçamentárias nominais previstas para o ano fiscal de 2026. O universo central examina os 65 países mais vulneráveis aos impactos socioambientais da crise climática global. O Brasil foi incorporado como país de análise suplementar prioritária (fora do núcleo dos 65) em função de três vetores determinantes: extrema relevância na conservação da biodiversidade global (biomas Amazônia e Cerrado, por exemplo), peso geopolítico e econômico no G20 (ocupando a posição de 10ª maior economia mundial) e o protagonismo internacional como país-sede da COP em 2025.

Os dados do relatório impressionam. Os gastos com o serviço da dívida no Sul Global são de US$ 8,8 trilhões em 2026, montante que absorve 43,5% de toda a arrecadação orçamentária dos chamados países em desenvolvimento. Esses países do Sul Global receberam apenas US$ 39 bilhões em doações climáticas do Norte Global, mostrando que o Sul transfere 225 vezes mais capital aos credores do que recebe na forma de ajuda climática não geradora de passivos. O total de US$ 39 bilhões recebidos a título de doações equivale a meros 0,44% do dispêndio total carreado ao serviço da dívida em 2026. Nos 65 países mais vulneráveis analisados, o serviço da dívida compromete, em média, 65% de toda a receita fiscal governamental arrecadada. Estes países........

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