O despertar diante do gigante: o que a imersão na China nos ensina sobre soberania, planejamento e o preconceito orientalista ocidental
Entre os dias 30 de junho e 14 de julho de 2026, integrei uma comitiva institucional de intercâmbio acadêmico e cultural na República Popular da China, viabilizada pela cooperação entre a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a Embaixada da China no Brasil, o Ministério da Educação da China (CLEC) e a Universidade Normal de Tianjin (Tianjin Normal University). A experiência extrapolou o mero campo diplomático formal e constituiu um choque de realidade sociológico e político sem precedentes. Além das vivências acadêmicas intensivas, visitas ao Centro de Experiência Cultural da Língua Chinesa e imersões de pesquisa no polo de inovação e tecnologia da BYD (Di Space), a missão proporcionou um contato direto com o cotidiano local, marcado pelo uso do transporte público (ônibus e metrô) e por vivências nos mercados populares e feiras livres, na cidade de Tianjin.
Regressar ao Brasil após presenciar a dinâmica interna de uma nação de 1,4 bilhão de habitantes é ser forçado a confrontar, de forma serena porém implacável, a estreiteza do debate público ocidental. A sociedade brasileira, empobrecida por décadas de dependência cultural e bombardeada por narrativas geopolíticas caricatas, acostumou-se a enxergar o Oriente através de lentes eivadas de preconceito, ingenuidade e arrogância orientalista. Julgamos a China a partir de dogmas rasos, agindo com a infantilidade de bebês intelectuais diante do maior e mais bem-sucedido projeto de desenvolvimento socioeconômico da história moderna.
1. A Superação da Miséria Histórica: Evidência Científica vs. Retórica Ocidental
A perplexidade do leigo brasileiro diante da China decorre do desconhecimento deliberado dos dados. O que os analistas ocidentais frequentemente tratam como “milagre” é, na verdade, resultado de planejamento estatal rigoroso, disciplina institucional e centralidade das metas humanas na gestão pública. A China conseguiu o que a literatura econômica neoclássica convencionou considerar impossível: erradicar a pobreza extrema em uma........
