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Revitalização rural e direitos humanos: a dignidade material na experiência chinesa

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03.06.2026

Por Iara Vidal - Desde que me mudei para Beijing, em novembro de 2025, uma das perguntas que mais recebo sobre a China diz respeito aos direitos humanos. Quase sempre, a questão vem pela lente ocidental, marcada por debates sobre liberdades civis, imprensa, eleições e relação entre indivíduo e Estado. Mas, para entender o tema na chave chinesa, é preciso começar por outro lugar: pelo modo como a própria China define direitos humanos.

Na visão chinesa, direitos humanos não aparecem primeiro como uma ideia abstrata, mas como vida concreta. Comer bem, morar com dignidade, estudar, ter acesso à saúde, circular por boas estradas, ter renda, trabalho, segurança, internet, escola para os filhos e perspectiva de futuro também são direitos humanos. É uma concepção ligada ao direito ao desenvolvimento, à soberania e à ideia de que não existe dignidade real sem base material.

É a partir dessa chave que quero olhar para a revitalização rural. À primeira vista, ela pode parecer uma política de infraestrutura, agricultura ou planejamento territorial. Mas, depois de eliminar a pobreza extrema, a China passou a enfrentar outro desafio: garantir que o desenvolvimento chegue ao campo de forma estável, para que as pessoas possam viver, produzir e prosperar em seus próprios territórios.

Revitalização rural, portanto, não é só estrada, ponte, internet ou modernização agrícola. É também uma política de dignidade.

Antes de falar em revitalização rural, vale lembrar de onde a China partiu. Em junho de 2021, ano do centenário do Partido Comunista da China (PCCh), o Gabinete de Informação do Conselho de Estado divulgou o livro branco “O Partido Comunista da China e a Proteção dos Direitos Humanos — Uma Jornada de 100 Anos”.

A partir de 1949, com a fundação da República Popular da China, o país iniciou uma transformação profunda. A China........

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