O pesadelo do mundo é o sonho de Netanyahu
Quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou a Operação Rugido do Leão, em 28 de fevereiro de 2016, não fez qualquer tentativa de esconder sua euforia. Declarou que esse ataque conjunto israelense-estadunidense contra o Irã lhe oferecia a oportunidade de alcançar o que ele “almejava há quarenta anos”.
É raro encontrar um líder militar que admita tão claramente que a guerra é motivada por uma ambição pessoal profundamente enraizada, em vez de ser uma resposta a uma ameaça iminente.
No entanto, Netanyahu nunca foi vago quanto às suas intenções. Seus depoimentos, ao longo de décadas, perante comissões do Congresso estadunidense — alertando, repetida e insistentemente, que o Irã estava a poucos meses de adquirir armas nucleares — eram apenas um pretexto.
Apesar das repetidas garantias das agências de inteligência estadunidense de que o Irã não estava trabalhando na produção de uma bomba nuclear, isso não teve qualquer consequência. A guerra nunca foi sobre a bomba; seu objetivo final sempre foi o projeto do “Grande Israel”.
O termo “Grande Israel” possui três significados sobrepostos, todos agora abundantemente claros.
O primeiro significado é a rejeição categórica da solução de dois Estados. Um Estado palestino soberano não será possível se Netanyahu e sua coalizão alcançarem seus objetivos.
A Faixa de Gaza foi submetida ao que a Corte Internacional de Justiça e diversos organismos internacionais descreveram como “genocídio”, e agora é administrada pelo “Conselho de Paz de Trump”, um órgão vergonhoso e sem qualquer legitimidade, em vez de ser administrada pelos palestinos.
A Cisjordânia está sendo engolida pela expansão dos assentamentos e pela anexação burocrática. O embaixador dos Estados Unidos, Huckabee, declarou publicamente que não reconhece os palestinos como um povo, afirmando que “a Área C é Israel”.
Portanto, a solução de dois Estados não é apenas um processo vacilante, mas está sendo enterrada viva.
O segundo significado é o monopólio de Israel sobre o poder militar em todo o Oriente Médio. O Irã era a última grande potência regional capaz de fornecer dissuasão estratégica contra Israel. A Síria já foi devastada, e o Iraque foi destruído em 2003, com o apoio entusiástico do próprio Netanyahu........
