Semana difícil com entrevistas que perdem eleições
A semana começou com uma entrevista de Dario Durigan ao Estadão na qual o ministro da Fazenda defendeu, ponto por ponto, quase tudo o que o receituário neoliberal poderia desejar — inclusive contra posições do próprio presidente que diz servir. Não é a primeira vez. Desde que chegou à cúpula da Fazenda, vindo dos quadros corporativos de uma das maiores plataformas digitais do mundo, o ex-assessor-ministro vem cutucando justamente o que a Constituição tem de mais protetivo aos mais pobres: os mínimos constitucionais de investimento em saúde e educação, aqueles pisos crescentes e vinculados que existem precisamente para que o gasto social não fique à mercê do humor fiscal de cada governo. Cada investida nesse terreno, ainda que vestida de “tecnicalidade”, deixa para o PT a herança envenenada de ter sido o partido que afrouxou as garantias dos mais vulneráveis.
Mas o problema da entrevista vai além disso. Durigan afirma que o Brasil “é um país digital” quando os dados mostram o contrário. Há conectividade desigual, exclusão persistente, escolas sem infraestrutura, milhões à margem dos serviços básicos digitalizados. Temos muito trabalho pela frente, não uma vitória a comemorar. E, quando o jornalista — atentem que foi o jornalista de um dos veículos mais conservadores do Brasil que aventou o problema —........
