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Pobres juízes

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26.02.2026

É com profunda comoção e genuína solidariedade que o povo brasileiro assistiu, nesta semana, ao testemunho da juíza aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares no plenário do Supremo Tribunal Federal. Ali, com a voz embargada de quem conhece a dor, a presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho revelou ao país uma tragédia humanitária até então invisível: juízes de primeiro grau não têm água e não têm café. Para piorar, desembargadores — coitados — "mal têm um lanche". A cena, digna de um documentário sobre populações em situação de vulnerabilidade alimentar, comoveu os ministros do STF, que assistiam àquela confissão de penúria recebendo, eles próprios, não mais que míseros R$ 46,3 mil mensais.

A magistrada aposentada — que recebeu modestos R$ 113,8 mil líquidos em dezembro de 2025, o equivalente a pouco mais do dobro do teto constitucional e a cerca de 70 salários mínimos — denunciou com coragem a "insegurança jurídica" que assola a categoria: "Um mês não sabe o que vai receber, outro mês não sabe se vai cair." É uma agonia kafkiana. Imagine o leitor: em um mês, o magistrado recebe R$ 80 mil; no seguinte, despenca para R$ 60 mil. Como planejar uma vida assim? Como financiar o carro — que, pasme-se, tem que pagar "do próprio bolso"! — e ainda arcar com o combustível? É de partir o coração.

A via crucis do penduricalho

A bem da verdade, o sofrimento dos magistrados brasileiros tem camadas que o cidadão comum sequer imagina. Vejamos: um juiz brasileiro tem direito a 60 dias de férias anuais. Soma-se a isso o recesso forense de quase três semanas entre dezembro e janeiro, os feriados forenses exclusivos do Judiciário — Carnaval, Semana Santa, Dia do Advogado, Dia do Servidor, Dia da Justiça — e as recentes licenças compensatórias, que podem adicionar até 142 dias de folgas extras, totalizando, em tese, espantosos 202 dias sem trabalhar no ano. Isso sem contar os finais de semana, evidentemente.

Pois bem: imagine a dificuldade logística de acomodar, em tão poucos dias de efetivo trabalho, tantas verbas indenizatórias, tantos auxílios, gratificações, jetons,........

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