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O caso Huawei: custo da soberania balcanizada na América Latina

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15.08.2026

Uma série de mensagens de WhatsApp enviadas pela Embaixada dos Estados Unidos na Argentina aos dirigentes de uma cooperativa da província de Neuquén expôs até onde Washington pode chegar ao pressionar aqueles que pretendem contratar a Huawei. A advertência consistiu em uma possível suspensão de vistos caso finalmente escolhessem a gigante tecnológica chinesa para instalar fibra óptica na região de Vaca Muerta. O que era uma decisão comercial acabou se transformando em um escândalo diplomático que colocou no centro do debate os limites da chamada guerra fria tecnológica e a maneira como as políticas hegemônicas dos EUA buscam condicionar as decisões dos países da região, muitas vezes com a cumplicidade dos governos locais.

A pressão diplomática resultou em um intenso debate na Comissão de Assuntos Cooperativos, Mutualistas e Organizações Não Governamentais da Câmara dos Deputados, onde a oposição antecipou sua intenção de convocar o embaixador dos Estados Unidos, Peter Lamelas, para que preste esclarecimentos sobre o que diferentes parlamentares consideraram uma aberta interferência na soberania nacional. “Não está certo que uma embaixada estrangeira entre em contato com uma cooperativa e diga a ela o que deve fazer”, denunciou aos deputados Sergio Fernández Novoa, gerente de Tecnologias da Informação e Comunicação da Cooperativa de Água, Luz e Força de Neuquén (CALF).

O episódio foi interpretado por diferentes setores como um exercício de coerção que atualizou, em chave tecnológica, a antiga Doutrina Monroe. Ao ameaçar com sanções pessoais diretas, Washington deixou pouca margem para a neutralidade e voltou a exibir uma concepção da América Latina e do Caribe como seu “quintal”, em uma versão do século XXI. A resposta posterior da Embaixada da China, denunciando “práticas hegemônicas” e a “natureza hipócrita” da política externa dos Estados Unidos, acabou por desencadear o que já era um escândalo diplomático incontornável.

Em meio ao escândalo, Lamelas foi além e aproveitou um evento organizado pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos (AmCham) para denunciar que a Huawei realiza espionagem para o governo chinês, acusação que a Embaixada da China na Argentina classificou como “uma calúnia sem qualquer........

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