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O fator redutor

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24.08.2026

Um ser humano pode ser tudo nesta vida. Alguém sozinho, quieto, pacato, um desses tipos que a gente mal nota, pode ter virtudes imensas e defeitos medonhos, num arranjo singular e inconfundível. Para começar a conversa, é bom lembrar que ninguém é puramente virtuoso, ninguém é puro vício. “Não és bom, nem és mau: és triste e humano”, escreveu Olavo Bilac, que, embora tristemente parnasiano, acertou.

Qualquer pessoa, mesmo sem ser parnasiana, é um oxímoro ambulante, ainda que não saiba que o mundo lhe “foi contraditório”, na expressão de Carlos Pena Filho. Pode-se ser “ou isto ou aquilo”, à la Cecília Meireles, pode-se ir para lá ou vir para cá, pode-se perguntar sobre “ser ou não ser”, como Hamlet, pode-se até ser e não ser de uma vez só, sem que ninguém perceba.

E que diferença isso faz? Nenhuma. Rigorosamente, nenhuma.

Em função desse fato inconteste, que está aí há um tempão, mas todo mundo teima em ignorar, hoje eu não tratarei de nenhuma notícia atordoante e nenhum descalabro momentoso da agenda nacional; vou falar apenas dessa condição estranha de se poder ser tudo nesta vida sem que isso faça a menor diferença.

Um homem ou uma mulher podem ser tudo, e a chance de encontrarem alguma gratificação, digamos, reputacional ou econômica, é próxima de zero. Há uma exceção, aviso desde já,........

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