O que está em jogo, mais uma vez
Se o Brasil quer sair do ciclo histórico de dependência e crescimento curto, precisa de um projeto de desenvolvimento sustentado no tempo. Celso Furtado já dizia que o "subdesenvolvimento" não se cria e nem se supera sozinho; ele se reproduz porque há interesses que o mantêm. Romper com isso exige direção política, capacidade de planejamento e disposição para enfrentar resistências.
Os governos Lula e Dilma foram os únicos que, desde a redemocratização, agiram na reconstrução dessa agenda: a retomada do papel do Estado, a reativação de instrumentos de investimento público, a valorização do mercado interno e a tentativa de reorganizar políticas industriais.
Isso não aconteceu em terreno neutro. Sempre que o país ensaia sair de uma posição subordinada, a reação aparece. Pressões econômicas, resistência política, disputas institucionais e um ambiente de instabilidade constante dificultam qualquer estratégia de longo prazo. A história recente mostra isso com clareza.
É nesse ponto que a diferença se estabelece. Há uma linha de ação que busca reconstruir capacidade produtiva, reduzir desigualdades e recuperar algum grau de autonomia econômica, em contraste com outra que quer tornar o país vulnerável e dependente.
É preciso reconhecer que existe uma disputa real sobre o futuro do país e que, dentro das opções concretas, há projetos que ao menos tentam enfrentar a estrutura do atraso, enquanto outros simplesmente se beneficiam dela.
No fim, a escolha não é entre perfeição e erro. É entre avançar com contradições ou........
