Almas despejadas
Deixaram chegar “no osso” a necrópole de Piracicaba-SP, notadamente o Cemitério da Saudade, há décadas sem manutenção.
Quem passa pela Avenida Independência desta cidade vê o muro baixo do além, carcomido, com as pinturas murais esmaecidas e, em cima, os metais espiralados pega-ladrão. Por lá saltam gatos pardos, entre as silhuetas dessa zeladoria obscurantista. Há sepulturas com fendas, baratas fugidias, anjos decaídos, vasos secos e metais roubados. O mais estranho não seria se víssemos, pelas trincas velhas, os penadinhos revirando-se lá dentro. A necrópole, ossos dos nossos ossos, adereços, monumentos. Se pobres, ao menos a foto, com nome e datas, ou uma cruz velha que seja. Vez ou outra, a parafina escorrida ao lado de um monturo com rosas, em aviso para........
