Universidade, ciência e democracia: Fernando de Azevedo e a criação da USP
Se a Educação Física foi, para Fernando de Azevedo, o primeiro campo de intervenção sobre o corpo social, e o censo demográfico o instrumento de leitura e organização da população, a universidade representou o momento de síntese de seu projeto intelectual. É na criação da Universidade de São Paulo, em 1934, que esse esforço de organização da cultura brasileira alcança sua forma institucional mais acabada.
A universidade não surge, em sua trajetória, como uma iniciativa isolada, mas como resposta a um diagnóstico persistente até os dias atuais: a fragilidade histórica da produção científica e cultural no Brasil.
Desde o início do século XX, Fernando de Azevedo denunciava o que considerava um traço estrutural da vida intelectual brasileira: a improvisação. O país formava bacharéis, mas não produzia ciência de forma sistemática; valorizava títulos, mas negligenciava a pesquisa; acumulava retórica, mas carecia de método.
Para Azevedo, a ausência de uma universidade moderna explicava, em grande medida, a dependência cultural e científica do Brasil em relação à Europa. Sem instituições estáveis de produção do conhecimento, o país permaneceria refém de soluções importadas e incapaz de interpretar a si mesmo.
A universidade aparecia, assim, como condição para a autonomia cultural e científica.
A USP como projeto de cultura e de Estado
A criação da Universidade de São Paulo não pode ser compreendida apenas como uma iniciativa........
