Os Institutos Federais e a disputa silenciosa pela formação da juventude brasileira
Há disputas que não fazem barulho. Não ocupam manchetes, não convocam multidões às ruas, não cabem em slogans fáceis. Ainda assim, definem o futuro de um país. A disputa pela formação da juventude trabalhadora brasileira é uma delas.
No século XX, as universidades públicas federais foram centrais para garantir a lenta e contraditória construção do Brasil moderno. Não apenas formaram profissionais, mas ajudaram a produzir pensamento, ciência, crítica e imaginação de futuro. Mesmo sob autoritarismos, crises econômicas e projetos excludentes, preservaram, mesmo com todos os limites, a ideia de que o conhecimento não pode ser privilégio de poucos, princípio que os chamados escolanovistas defenderam com força. Fernando de Azevedo e Anisio Teixeira são grandes expoentes do movimento escolanovista, e ajudaram a edificar o nascimento da universidade brasileira moderna.
Essa mesma ideia de que escola não é privilégio atravessa um texto clássico do pensamento educacional brasileiro, escrito em meados do século passado, quando se afirmava, com clareza incomum para a época, que educação não é privilégio, escrita por Anisio Teixeira. Vinda de um liberal democrático no sentido mais rigoroso do termo, essa afirmação carregava uma convicção profunda: sem acesso universal ao conhecimento, não há cidadania, nem democracia, nem nação que se sustente.
Hoje, essa disputa reaparece, com........
