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A mitologia e o labirinto do poder masculino

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08.03.2026

Em pleno 2026, as mulheres continuam sendo empurradas para papéis secundários em diferentes dimensões da vida social. E, quando resistem a esse destino, muitas vezes são confrontadas pela violência de uma masculinidade que se tornou tóxica e obsoleta. Uma masculinidade que ainda promove agressões, mortes e feminicídios contra mulheres em nome de um suposto mito de superioridade masculina.

Esse mito continua sendo sustentado por estruturas de poder que, ao longo da história, se organizaram em torno de privilégios masculinos, muitas vezes reservados, em escala global, a homens brancos. Estruturas religiosas e políticas sustentam o mito do patriarcado como polo de poder, mesmo diante da inexorável presença cada vez maior das mulheres na gestão da vida. 

A mitologia grega ocupa um lugar central na formação do pensamento e da cosmovisão do Ocidente. Por meio da tradição intelectual europeia, esses mitos atravessaram séculos e passaram a integrar o repertório simbólico que molda nossas ideias sobre poder, sociedade e natureza humana. Nos poemas épicos atribuídos a Homero, especialmente na Ilíada e na Odisseia, encontramos não apenas narrativas de guerra e heroísmo, mas também elementos de uma ordem simbólica que ajudou a consolidar a centralidade masculina na organização do mundo.

As batalhas, alianças e decisões narradas nesses poemas colocam o homem como sujeito da ação histórica. Às mulheres, em grande parte das narrativas, são atribuídos papéis ligados ao desejo, à sedução ou ao cuidado. A própria Guerra de Troia, eixo central da Ilíada, nasce do conflito provocado pela........

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