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Há perigo na esquina política

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06.03.2026

As eleições estão logo ali e a extrema direita está à espreita. Já venderam Jair Bolsonaro como outsider (mesmo após três décadas dentro do congresso), Tarcísio de Freitas como não bolsonarista e moderado (isso com a defesa da anistia ao ex-presidente condenado e uso do boné MAGA), e agora, querem rotular Flávio Bolsonaro de “direita não truculenta”. Realmente, Josef Goebbels foi um mestre medíocre em face dos pupilos que produziu.

A técnica de dissimulação e expansão da influência é simples e se repete: o fascismo, ainda chamado de extrema direita, não revela o quão nocivo é para a população, especialmente para os trabalhadores, os mais vulneráveis e os periféricos.

Eles festejam todas as derrotas para os trabalhadores e minorias, tanto aqui como nos vizinhos. A Argentina é o exemplo mais notório e recente. Que as medidas aprovadas na Argentina não embasem uma retomada do “efeito Orloff” por aqui, uma vez que a Câmara daquele país aprovou reforma que flexibiliza lei trabalhista. Que os ares ainda progressistas de nosso governo caminhem para uma reumanização das relações de trabalho, não para a consolidação do inferno na Terra, como aconteceu no país vizinho. Isso somente acontecerá se conseguirem aprovar a redução da jornada de trabalho nas próximas semanas, antes da janela eleitoral, pois a invasão fascista do Parlamento será mais intensa ainda nas eleições de outubro, a se confirmar as articulações em curso.

A técnica de criar factoides para esconder a podridão profunda é outra artimanha dos fascistas. Vemos os exemplos de Epstein para Donald Trump e de Daniel Vorcaro para os fascistas domésticos. A bomba política em que os arquivos de Jeffrey Epstein está se transformando, com forte componente de exploração sexual, faz lembrar as denúncias de corrupção do governo Collor, no Brasil, especialmente o que veio à tona, posteriormente, com a publicação de “Notícias do Planalto: A Imprensa e Fernando Collor”, de Mario Sérgio Conti em 1999. No livro, há uma passagem de revelação de áudios de uma festa em que o ex-presidente participou e a maior preocupação não eram os diálogos que comprovavam a corrupção, mas, sim, se estavam presentes cenas das orgias sexuais havidas. A transcrição das falas usa palavrões, desnecessários aqui, mas reveladores do que era aquela “nova República”.

Embriões do fascismo estavam por toda a parte e parece que somente tomamos conhecimento dele após as fogueiras de junho de 2013.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


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