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Quando perdemos a paixão…

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O Manchester City vive um dos momentos mais delicados da sua história recente. O clube que dominou o futebol inglês na última década enfrenta agora uma incerteza que ultrapassa largamente as quatro linhas. Uma comissão independente considerou provadas graves infrações às regras financeiras da Premier League, relacionadas com a apresentação de receitas e custos, contratos comerciais e incumprimento de deveres de cooperação com a investigação. O City contesta a decisão, mantém a sua inocência e apresentou recurso. Entretanto, pairam dúvidas sobre as consequências: multas, perda de pontos ou até uma eventual despromoção, que poderia afastar o clube da Premier League e colocá-lo na segunda divisão inglesa. Nenhuma destas sanções está, para já, decidida.

A incerteza estende-se naturalmente ao futuro desportivo. O que acontecerá a uma equipa construída para disputar títulos nacionais e europeus se deixar de competir ao mais alto nível? Estarão estrelas como Haaland, Rúben Dias ou Donnarumma dispostas a permanecer num projeto eventualmente afastado das grandes competições? Os contratos não desaparecem com uma possível despromoção, mas o impacto nas ambições individuais, na capacidade de atrair talento e na estabilidade do balneário poderá ser profundo. Para jogadores habituados a lutar pelos maiores troféus, o desafio poderá deixar de ser apenas ganhar o próximo jogo e passar a ser encontrar razões para continuar a acreditar no projeto.

É neste contexto que recupero um episódio protagonizado por Pep Guardiola, em dezembro de 2024. Depois de uma derrota por 2-0 frente à Juventus, a sétima em dez jogos, o treinador entrou no balneário e decidiu não falar de futebol. Não falou de tática, de erros ou de oportunidades desperdiçadas - falou de amor. Contou aos jogadores que atravessava o fim de uma relação, que continuava a existir amor, mas que a paixão se tinha perdido. E utilizou essa experiência pessoal para lhes colocar........

© A Bola