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Higuita, o guarda-redes que mudou o futsal

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09.05.2026

Num fim de semana em que o futsal europeu decide o seu campeão de clubes, com o Sporting na final da Liga dos Campeões frente ao Palma Futsal, olhar para Léo Higuita é olhar para uma das maiores transformações de sempre na modalidade. Mais do que um guarda-redes, o brasileiro naturalizado cazaque tornou-se um princípio de jogo.

Durante décadas, o guarda-redes de futsal era visto como o último reduto defensivo. Higuita mudou essa lógica. Transformou a posição num espaço de criação, liderança e influência direta no jogo ofensivo.

Nascido no Rio de Janeiro, como Leonardo de Melo Vieira Leite, encontrou cedo no futsal o palco ideal para uma forma de jogar fora dos padrões tradicionais. O apelido Higuita surgiu pela semelhança com o irreverente guarda-redes colombiano, de futebol, René Higuita. Mas o tempo acabaria por mostrar que o futsal ganharia o seu próprio Higuita com uma identidade própria.

A sua afirmação acontece no Cazaquistão, primeiro no Tulpar e depois no Kairat Almaty. A partir daí, deixa de ser apenas um guarda-redes com participação ofensiva para se tornar uma verdadeira arma tática. A capacidade de jogar fora da área, de criar superioridade numérica e de participar ativamente na construção ofensiva alterou profundamente a forma de entender o jogo. O chamado guarda-redes avançado já existia, mas nunca com esta consistência, coragem e impacto competitivo. Higuita é uma versão 2.0.

Mais do que os golos, muitos deles decisivos, ou as defesas de alto nível, o que distingue Higuita é a influência coletiva. Ele obrigou as equipas a reagir. Obrigou o jogo a evoluir.

As conquistas acompanham essa inovação: múltiplos títulos nacionais, a UEFA Futsal Cup (atual Liga dos Campeões de futsal) e várias distinções individuais, incluindo cinco prémios de melhor guarda-redes do mundo. Pela seleção do Cazaquistão, ajudou a transformar uma equipa emergente numa presença constante entre as melhores da Europa.

Mas o seu verdadeiro legado não está nos troféus. Está na forma como mudou o jogo. Hoje, o futsal moderno já não se entende sem a influência do seu modelo. Os guarda-redes são mais completos, mais técnicos e mais participativos. Muitos cresceram a vê-lo assumir riscos, sair da baliza e decidir jogos com os pés.

Se Ricardinho marcou pela magia e Falcão pela arte, Higuita marcou pela estrutura. Talvez esse seja o maior elogio possível: depois dele, o jogo........

© A Bola