Luciano Gonçalves é o para-raios de Pedro Proença
Ao transmitir, de forma tão ostensiva e imprudente, a ideia de que detém um controlo absoluto sobre a arbitragem, resolveu um dos maiores problemas do presidente da Federação Portuguesa de Futebol.
A partir da reunião de Tomar, qualquer nomeação polémica, qualquer erro de arbitragem ou, simplesmente, a vontade de um presidente de um clube grande gerar ruído só pode ter Luciano Gonçalves como alvo.
Sempre que surgir uma polémica, será a sua imagem a ocupar o centro do debate e a suportar o desgaste inerente.
Pedro Proença estará a conviver mal com a revelação pública que os árbitros são, na verdade, liderados por Luciano Gonçalves e pela APAF — uma república independente.
Mas, em 2026, já não há quem tenha o poder absoluto e quem o pretender vai ter o mesmo destino dos últimos que o tentaram. A arbitragem, ironicamente, é o seu calcanhar de Aquiles.
Basta recuar alguns meses. Teria sido Luciano Gonçalves, e não Pedro Proença, a suportar toda a pressão gerada pela final da Taça de Portugal entre Sporting e Benfica ou pela nomeação e arbitragem de Gustavo Correia no Famalicão-Benfica. Teria aguentado emocionalmente e sobrevivido politicamente a esses dois terramotos?
Em 59 a.C., o poder de Roma foi repartido entre Júlio César, Pompeu e Marco Licínio Crasso. César conquistava a Gália, Pompeu acumulava vitórias no Oriente e Crasso, apesar de ser o homem mais rico de Roma, convivia mal com a falta de prestígio militar.
Cego pela ambição, invadiu o Império........
