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Os adeptos do futebol

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11.03.2026

No início dos anos 60 do século passado, ser adepto do FC Porto era um ato de fé, apenas comparável a uma prece quase desesperançada mas carregada de uma intensa religiosidade fervorosa. Ganhar era um sonho que só um milagre tornaria possível, tais eram as montanhas, imponentes, que se erguiam ante nós.

Nesses anos, ser adepto do FC Porto era um sonho de profunda convicção e de crença absoluta no dia em que tudo mudaria e que nós, o Porto, seríamos invencíveis. Lembro-me como se fosse hoje. Ir a Lisboa era o maior dos desafios para nós, portistas. Um dia que o Porto foi jogar a Lisboa, estava eu em Santa Apolónia quando chegou o comboio vindo do Porto, com os nossos jogadores. Iam jogar com o Sporting. Vi-os desfilar diante de mim. Contemplei-os como um jovem adepto que vê, admira e venera os seus ídolos.

Entre todos eles, vi o Gomes, o Fernando Gomes. Nessa altura, eu nem tinha bem a noção do que era o Fernando Gomes, o capitão glorioso, bibota de ouro, goleador implacável, jogador fino e elegante, mas letal. Nessa altura, eu só sabia que ele era o Gomes e ganhei toda a coragem que tinha para lhe dizer, ganhem o jogo amanhã, ganhem ao Sporting, Perdemos, mais uma vez. Mas eu não perdi a esperança, nunca, de um dia sermos invencíveis. Nesse tempo, sofríamos muito com as derrotas inevitáveis. Eram tão inevitáveis que eu sofria de frustração, mas nunca de resignação.

Eu acreditava. Sempre acreditei. E, nessa altura, o que eu mais queria era ganhar ao Benfica, o colosso europeu dos anos 60 e 70 que deslumbrava futebol. Cada jogo com o Benfica era uma dor, um sofrimento, uma raiva chorada. Quando é que poderíamos ganhar-lhes, quando é que poderíamos suplantá-los, ser melhores do que eles?

Os anos 80 do........

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